A luz dourada do entardecer entrava pelas janelas do loft em Campo de Ourique, projectando sombras suaves sobre os tapetes persas e as almofadas de seda espalhadas pelo chão. Beatriz ajustou as velas aromáticas dispostas em círculo, o perfume de sândalo e jasmim começando a preencher o espaço amplo. Tinha passado a tarde a preparar tudo meticulosamente: a temperatura perfeita, a música ambiente com tons tibetanos, as toalhas macias aquecidas.
Quando a campainha tocou, sentiu um arrepio de antecipação percorrer-lhe a espinha. Miguel chegara pontualmente, como prometera. Abriu a porta e encontrou-o com aquele sorriso que a fizera aceitar o convite duas semanas antes, num jantar entre amigos onde ele mencionara casualmente a sua prática de tantra.
"Estás pronta para isto?" perguntou ele, entrando com a segurança tranquila de quem conhece o próprio corpo e sabe honrar o dos outros.
"Nervosa," admitiu Beatriz, fechando a porta. "Mas curiosa. Promete-me que vai ser diferente de tudo o que já experimentei."
Miguel aproximou-se, sem tocar, apenas permitindo que ela sentisse o calor do seu corpo. "O tantra não é sobre o destino, Beatriz. É sobre a viagem. Sobre despertar cada célula, cada respiração. Vais sentir o teu corpo de formas que nunca imaginaste."
Conduziu-a até ao centro da sala, onde as almofadas formavam um ninho acolhedor. Sentaram-se frente a frente, pernas cruzadas, joelhos quase a tocar-se.
"Primeiro, respiramos juntos," murmurou ele, os olhos escuros fixos nos dela. "Inspira quando eu inspiro. Expira quando eu expiro. Vamos sincronizar."
Beatriz obedeceu, sentindo-se inicialmente ridícula, mas gradualmente algo começou a mudar. A respiração deles tornou-se uma só, o peito dele subindo quando o dela subia, criando uma ligação invisível mas palpável. O ar entre eles parecia carregar-se de electricidade.
"Agora vou tocar-te," disse Miguel suavemente. "Mas não como estás habituada. Vou acordar a tua pele."
As mãos dele pousaram nos ombros dela, por cima do vestido leve que usava. Não foi um toque sexual, mas algo mais profundo. Os dedos moviam-se com pressão firme mas reverente, traçando os músculos, encontrando pontos de tensão que ela nem sabia que existiam. Desceu pelos braços, devagar, mantendo sempre o contacto visual.
"Sentes?" sussurrou. "A energia a mover-se?"
Beatriz assentiu, incapaz de formar palavras. O corpo dela começava a formigar, uma sensação quente espalhando-se desde onde ele tocava até zonas completamente diferentes. Quando os dedos dele roçaram o interior dos seus pulsos, sentiu uma pulsação entre as pernas que a surpreendeu.
"O corpo todo é uma zona erógena," explicou Miguel, a voz rouca. "Apenas nunca te ensinaram a senti-lo assim."
Pediu-lhe que se levantasse e, com movimentos lentos, foi desapertando o vestido dela. A falta de pressa era quase torturante. Cada centímetro de pele exposta recebia atenção: um sopro, um beijo suave, a ponta dos dedos. Quando finalmente o vestido caiu, e Beatriz ficou apenas em roupa interior de renda preta, sentia-se simultaneamente vulnerável e poderosa.
"És linda," disse ele, sem ser banal. Era uma constatação, um reconhecimento. "Agora deita-te."
Beatriz deitou-se sobre as almofadas, o coração acelerado. Miguel ajoelhou-se ao lado dela, começando uma massagem que ultrapassava qualquer coisa que ela conhecesse...
Ficaram assim até as velas começarem a apagar-se uma a uma, os corpos entrelaçados, as respirações novamente sincronizadas. E Beatriz soube que nunca mais seria a mesma.
O tantra não tinha transformado apenas a sua vida sexual. Tinha transformado a forma como habitava o próprio corpo, como se permitia sentir, como se conectava. E aquela era apenas a primeira de muitas viagens que faria, explorando os territórios infinitos do prazer consciente.
Partilhar artigo